terça-feira, 11 de agosto de 2009

Um pulo na lua

Quando Gildinha viu aquela lua bonitona no céu, decidiu:
- Vou ser astronauta!
- Ora vejam, astronauta mulher!
- Por que? Não existe?
- É claro que não!
- Pois então eu serei a primeira.
- Logo você que tem medo até de subir no telhado? Duvido que chegues à lua!
- Mas até lá eu já cresci, e gente grande não tem medo de nada!
- Ora se não tem! Mamãe tem medo de baratas...
- Ah, barata é barata!
- Pois saiba que eu ainda sou menino e já não tenho medo de nada.
- Não tem! Não tem! Tu tens medo do escuro que eu sei.
- Maninha... não é medo! Eu tenho é receio!
- Ta, e receio não é medo?
- Claro que não! Receio é receio e medo é medo.
- E o que é receio então?
- Receio é... receio é... Humm!
- Vamos diga. Não fiques aí gaguejando!
- Receio é só um medinho à toa!
- É, mas tu choras se te deixam no escuro.
- É que quando se tem receio também se chora!
- Pois eu não tenho receio e nem medo de ir á lua.
- Papai contou-me que a cadela Laika foi e não voltou mais.
- Pois eu vou à lua procurar por ela e a trarei de volta.
- Cadela idiota, tal qual as meninas. Ouvi dizer que era só ela ter apertado um botão que dizia: - voltar para casa. Te garanto que se fosse o Sultão ele não se perderia.
- O que?! Este cachorro pulguento? Se fosse ele, iria parar no sol. Viraria cachorro-quente torrado. Um baita de um bocó!
Gildinha jurou ter visto Laika pulando lá na lua.
- Tadinha, tão longe de casa!

Sérgio Luís da Silva Vargas

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