Mais uma vez, Rodrigo apontou sua luneta para a janela do prédio lá adiante.
Há muito tempo é assim: Ela chega acompanhada, liga a luz e tira a roupa, sob o olhar extasiado do visitante. E são tantos. Homens novos, velhos, com barba, loiros, morenos. Homens de todos os tipos.
Suélen é linda. Loira de cabelos compridos e lisos como a seda. Pernas bem torneadas. Corpo esguio. Bundinha empinada. E aqueles seios então? Frutos maduros prontos para serem colhidos. Suelen é perfeita. Ou será que se chama Carla? Patrícia talvez? É... Suelen é melhor. Se parece mais com ela.
No quarto, pelo que ele pode ver, tem uma cama de casal com lençóis muito brancos, um ventilador no teto e num canto, uma cômoda, sobre a qual descansa um porta-retrato com a foto de uma criança e livros, muitos livros.
Rodrigo observa atento, aqueles corpos ansiosos, engalfinhando-se sobre a cama. Suelem é carinhosa. Do que será que falam? Suelem ouve e dá risadas. Ela fica mais linda ainda quando ri. Depois a luz se apaga e Rodrigo vai deitar. Amanhã é outro dia e a escola o espera. Quase sempre é assim, fica rolando na cama e só consegue dormir depois de ir ao banheiro.
- Ah, Suelem... Você me deixa louco!
Quinta-feira. Rodrigo observava as estrelas quando de repente a luz do quarto de Suelem se acendeu. Automaticamente a luneta foi desviada para lá.
- Veja só, ela está melhorando o perfil dos seus clientes. Está mais seletiva a safadinha.
O sujeito que lá estava usava um terno azul-marinho bem alinhado. Parecia ser muito mais velho do que ela. Tinha os cabelos grisalhos.
Suelem serviu-lhe um uísque, depois, pegou na cômoda uma toalha e foi tomar banho. O homem aproveitou que estava sozinho para revirar a bolsa dela. Quando voltou ao quarto, ele começou a empurra-la.
- Epa! Parecem estar discutindo.
Rodrigo percebeu então que o homem a estrangulava. Ficou apavorado. Tentou gritar, mas apenas um sussurro foi o que se ouviu. Na noite fria, o silêncio imperava. A luz se apagou.
O garoto ficou pensativo:
- O que devo fazer? Ligo para a polícia? Não! Como eu poderia explicar tudo isto. Falar para os meus pais? Também não. Meu pai certamente diria que não devo me meter na vida dos outros e minha mãe então, iria encher o meu saco, achando que ando me envolvendo com prostitutas. Melhor ficar calado e observar se Suelem reaparece amanhã.
Na sexta-feira a luz do quarto da garota não se acendeu. Rodrigo ficou preocupado e decidiu que no outro dia, bem cedo, iria ao prédio dela ver o que havia acontecido.
Acordou, bebeu um gole de café e saiu correndo, sob protestos de sua mãe. Chegando lá, avistou o rabecão do iml. Ficou nervoso.
- O que houve aí? Perguntou a um policial.
- Mataram uma garota de programas
- A Suelem?
- Você a conhecia?
- Sim... Quer dizer, não! É que...
- Conhecia ou não conhecia?
- Bem... É que...
- Espera um pouco aí guri. Vou chamar o delegado. – Doutor!
Rodrigo estremeceu. Ali estava ele, o sujeito grisalho de terno azul-marinho.
Sérgio Luis da Silva Vargas
domingo, 23 de agosto de 2009
sábado, 15 de agosto de 2009
A queda do muro
Quando derrubaram o muro, lá em Berlim, meu pai ficou muito feliz. Finalmente seus parentes, dos dois lados, iriam se reencontrar.
- Que maravilha! Já não era sem tempo. Tio Gerard poderá visitar tia Romi.
- O quê? Perguntou mamãe.
- Derrubaram o muro.
- Não fui eu! Defendeu-se Geraldo
- Ah! Não mesmo, seu cabeça de bagre?
- Claro que não. Eu só pichei.
Meu irmão era uma toupeira.
- Foi tu então! Seu merda!
- Eu sabia!
- Só fiz um protesto contra os “inperialistas americanos”.
- Geraldo seu energúmeno, antes de p e b não se usa “n”. Que anta!
- Ah, vai te catar seu intelectualzinho babaca.
- Vão parar com essas ofensas? Rechaçou mamãe. –Vocês parecem cão e gato!
- É este guri, mãe, que vive se metendo nas conversas dos outros.
- Respeito é bom e conserva os dentes... Resmunguei.
- Pai... me empresta o carro? Pediu Geraldo.
- O quê? Tu pichas o muro e ainda vem me pedir o carro? Não empresto mesmo!
- Ô mãe! Manda ele me emprestar.
- Vai Valdomiro, dê a chave pro guri. Ele tem que ir ao supermercado pra mim.
- Ta, mas só pra ir ao super, e é um pé lá e outro cá!
Meu irmão saiu sorridente. Um Maria gasolina.
- Valdirene, cadê a tua filha?
- Nossa filhinha foi dormir na casa do namorado.
- O quê? Tu estás dando muita liberdade pra esta guria.
- Valdomiro... deixa a menina! Deixa a menina! Tu tá sempre implicando com alguém.
- Sei! Ela que me apareça prenha aqui.
...
Trimmm! Triiimmm! Tocou o telefone.
- Guri atende aí!
- Já vou pai, já vou! É a dona Flora. Está dizendo que derrubaram o muro.
- Eta, mulherzinha de merda! Será que ela pensa que nesta casa não tem televisão?
- Ela disse que foi o Geraldo.
- Ele já disse que não foi ele! Que droga!
- Ta mãe, não precisa ficar braba! Desculpe dona Flora é que...
- Desliga este telefone e venha comer.
...
- Oi gente! Tudo bem com vocês?
- De onde tu estás vindo mocinha?
- Da casa do Rui.
- Rui? Não era Carlos?
- Carlos Rui, pai!
- Ah!
- Vocês viram que derrubaram o muro?
- Até tu guria? Pensa que somos todos uns tapados? Que não assistimos tv?
- O quê?! Apareceu na tv?
- É claro né!
- E o carro tá no seguro?
- Carro?! Que carro?
- O carro... O muro... Garanto que foi o Geraldo.
Papai foi até a janela:
- Filho da puta...!
- Calma Valdomiro, calma!
Sérgio Luís da Silva Vargas
- Que maravilha! Já não era sem tempo. Tio Gerard poderá visitar tia Romi.
- O quê? Perguntou mamãe.
- Derrubaram o muro.
- Não fui eu! Defendeu-se Geraldo
- Ah! Não mesmo, seu cabeça de bagre?
- Claro que não. Eu só pichei.
Meu irmão era uma toupeira.
- Foi tu então! Seu merda!
- Eu sabia!
- Só fiz um protesto contra os “inperialistas americanos”.
- Geraldo seu energúmeno, antes de p e b não se usa “n”. Que anta!
- Ah, vai te catar seu intelectualzinho babaca.
- Vão parar com essas ofensas? Rechaçou mamãe. –Vocês parecem cão e gato!
- É este guri, mãe, que vive se metendo nas conversas dos outros.
- Respeito é bom e conserva os dentes... Resmunguei.
- Pai... me empresta o carro? Pediu Geraldo.
- O quê? Tu pichas o muro e ainda vem me pedir o carro? Não empresto mesmo!
- Ô mãe! Manda ele me emprestar.
- Vai Valdomiro, dê a chave pro guri. Ele tem que ir ao supermercado pra mim.
- Ta, mas só pra ir ao super, e é um pé lá e outro cá!
Meu irmão saiu sorridente. Um Maria gasolina.
- Valdirene, cadê a tua filha?
- Nossa filhinha foi dormir na casa do namorado.
- O quê? Tu estás dando muita liberdade pra esta guria.
- Valdomiro... deixa a menina! Deixa a menina! Tu tá sempre implicando com alguém.
- Sei! Ela que me apareça prenha aqui.
...
Trimmm! Triiimmm! Tocou o telefone.
- Guri atende aí!
- Já vou pai, já vou! É a dona Flora. Está dizendo que derrubaram o muro.
- Eta, mulherzinha de merda! Será que ela pensa que nesta casa não tem televisão?
- Ela disse que foi o Geraldo.
- Ele já disse que não foi ele! Que droga!
- Ta mãe, não precisa ficar braba! Desculpe dona Flora é que...
- Desliga este telefone e venha comer.
...
- Oi gente! Tudo bem com vocês?
- De onde tu estás vindo mocinha?
- Da casa do Rui.
- Rui? Não era Carlos?
- Carlos Rui, pai!
- Ah!
- Vocês viram que derrubaram o muro?
- Até tu guria? Pensa que somos todos uns tapados? Que não assistimos tv?
- O quê?! Apareceu na tv?
- É claro né!
- E o carro tá no seguro?
- Carro?! Que carro?
- O carro... O muro... Garanto que foi o Geraldo.
Papai foi até a janela:
- Filho da puta...!
- Calma Valdomiro, calma!
Sérgio Luís da Silva Vargas
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Minha sogra é um anjo
Minha sogra sofria de catalepsia.
Não queiram saber como é traumatizante uma sogra voltar do próprio enterro. Pois comigo aconteceu, e foram três vezes. Era aquele vai e volta danado. Tive que fazer um tratamento psicológico.
Na primeira vez tudo estava indo tão bem, até que no melhor da festa, a velha resolveu levantar-se. Gritaria geral:
- Seus desgraçados pensavam que iam me enterrar viva, mas não foi desta vez!
- Ah, mamãe que alegria! Minha esposa gritou feliz da vida.
- Ah, minha sogrinha que felicidade! Dizem, os amigos, que fiz a cara mais decepcionada do mundo.
Na segunda vez um dos netos passou pelo caixão e disse:
- A vovó ainda está quente!
- Será? Pensei.
Fui lá, discretamente, e diminui a temperatura do ambiente.
- Bah, mas tá frio aqui hem!
- Credo... Isto aqui parece uma geladeira!
- Não acho. Tô até com calor!
Quando parecia que ia ser desta vez, a velha levantou-se novamente do caixão, dê-lhe a espirrar.
- Mamãe que alegria! Minha esposa de novo.
- Sogrinha querida, que susto!
Na terceira vez me precavi. Fiquei o tempo todo em volta do caixão com a mão na testa da velha, segurando-a para que não levantasse.
Algumas amigas de bingo da jararaca chegaram a comentar:
- Nossa, como ele adorava esta sogra!
- É... ele é um amor!
Mas, bastou um pequeno descuido - fui atender a um telefonema, e ela pulou outra vez do caixão, espalhando flores para todos os lados com o dedo em riste apontado para mim:
- Pode tirar este sorriso da cara, pois eu voltei.
- Mamãe que alegria! Minha esposa, a única que parecia feliz de verdade no local.
- Sogrinha do meu coração, que felicidade! Disfarcei.
Ano passado ela morreu de novo. Só que desta vez, eu mesmo tomei as rédeas de tudo.
- Eu preparo o corpo da minha sogra!
- Obrigado querido!
Enchi a boca da velha de algodão, amarrei os pulsos com esparadrapo, coloquei bastante cola no fundo do caixão e pus um bilhete no bolso dela: não aceito devolução - vá que o capeta rejeite a encomenda. Só por precaução, aumentei o som ambiente da capela, para ninguém ouvir qualquer ruído.
Desta vez ela se foi mesmo.
Fiquei tão feliz com a minha empreitada, que com o dinheiro da herança, decidi montar uma empresa especializada em enterros de sogras.
- Vou fazer fortuna, a “QUE O DIABO TE CARREGUE LTDA” é o maior sucesso!
Sérgio Luís da Silva Vargas
Não queiram saber como é traumatizante uma sogra voltar do próprio enterro. Pois comigo aconteceu, e foram três vezes. Era aquele vai e volta danado. Tive que fazer um tratamento psicológico.
Na primeira vez tudo estava indo tão bem, até que no melhor da festa, a velha resolveu levantar-se. Gritaria geral:
- Seus desgraçados pensavam que iam me enterrar viva, mas não foi desta vez!
- Ah, mamãe que alegria! Minha esposa gritou feliz da vida.
- Ah, minha sogrinha que felicidade! Dizem, os amigos, que fiz a cara mais decepcionada do mundo.
Na segunda vez um dos netos passou pelo caixão e disse:
- A vovó ainda está quente!
- Será? Pensei.
Fui lá, discretamente, e diminui a temperatura do ambiente.
- Bah, mas tá frio aqui hem!
- Credo... Isto aqui parece uma geladeira!
- Não acho. Tô até com calor!
Quando parecia que ia ser desta vez, a velha levantou-se novamente do caixão, dê-lhe a espirrar.
- Mamãe que alegria! Minha esposa de novo.
- Sogrinha querida, que susto!
Na terceira vez me precavi. Fiquei o tempo todo em volta do caixão com a mão na testa da velha, segurando-a para que não levantasse.
Algumas amigas de bingo da jararaca chegaram a comentar:
- Nossa, como ele adorava esta sogra!
- É... ele é um amor!
Mas, bastou um pequeno descuido - fui atender a um telefonema, e ela pulou outra vez do caixão, espalhando flores para todos os lados com o dedo em riste apontado para mim:
- Pode tirar este sorriso da cara, pois eu voltei.
- Mamãe que alegria! Minha esposa, a única que parecia feliz de verdade no local.
- Sogrinha do meu coração, que felicidade! Disfarcei.
Ano passado ela morreu de novo. Só que desta vez, eu mesmo tomei as rédeas de tudo.
- Eu preparo o corpo da minha sogra!
- Obrigado querido!
Enchi a boca da velha de algodão, amarrei os pulsos com esparadrapo, coloquei bastante cola no fundo do caixão e pus um bilhete no bolso dela: não aceito devolução - vá que o capeta rejeite a encomenda. Só por precaução, aumentei o som ambiente da capela, para ninguém ouvir qualquer ruído.
Desta vez ela se foi mesmo.
Fiquei tão feliz com a minha empreitada, que com o dinheiro da herança, decidi montar uma empresa especializada em enterros de sogras.
- Vou fazer fortuna, a “QUE O DIABO TE CARREGUE LTDA” é o maior sucesso!
Sérgio Luís da Silva Vargas
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Exame de próstata
Os exames feitos em seu Juvêncio deixaram o médico da pequena localidade, um tanto preocupado:
- Teria que fazer um exame de toque, mas eu é que não vou enfiar o dedo no rabo deste guasca, mais grosso que tramela de rancho. Ele trata tudo à ponta de faca! Vou mandá-lo para Porto Alegre.
- Acho melhor mesmo. Disse a enfermeira.
- Seu Juvêncio, o senhor terá que ir à capital fazer mais alguns exames.
- O doutor é que sabe! É só terminar de colher meu milho que já vou.
- Isto, mas vá o mais rápido possível.
- Na semana que vem já devo estar indo doutor.
Juvêncio fez o que tinha que fazer. Vestiu a melhor pilcha, pôs na mala-de-garupa pão com salame e se mandou.
Na rodoviária pegou um taxi:
- Vamos pra onde senhor?
- Toca direto para o Hospital de Clínicas!
- O amigo veio fazer o que na capital?
- Vim fazer o exame de prósta.
- Ah, o exame de próstata!
- Esse mesmo. Vim num pé e volto noutro.
- O amigo não está receoso com o tal exame?
- E eu lá sou homem de ter medo de alguma coisa, mano-velho? Não tenho medo nem de assombração!
- Não estou falando de ter medo! Eu mesmo tenho um certo receio de fazê-lo.
- Mas o índio véio é homem ou um pé de chicória?
- Bem... É que é um tanto constrangedor e...
- Meu finado pai, que Deus o tenha, dizia-me que constrangedor é homem beijar homem. O resto...
- Acho que o amigo tem razão. Vou tratar de marcar o meu exame logo-logo.
- Pois faça isso, não deixe que o mal se alastre!
- Chegamos, Senhor!
- Muito obrigado.
Seu Juvêncio ficou aguardando na sala de espera por quase duas horas. Já estava nervoso.
- Seu Juvêncio pode entrar. Disse o médico
- Já não era sem tempo! Esperei mais que gestação de mula.
- Dispa-se e deite-se por gentileza.
Contam lá em São João da Urtiga que tiveram que chamar os brigadianos para pôr fim naquele entrevero. Era o seu Juvêncio correndo pelado pelos corredores do hospital, com um facão na mão, dando pranchaços no lombo do pobre médico:
- Vem cá, doutorzinho de merda! Vou te ensinar a respeitar um pai de família.
Sérgio Luís da Silva Vargas
- Teria que fazer um exame de toque, mas eu é que não vou enfiar o dedo no rabo deste guasca, mais grosso que tramela de rancho. Ele trata tudo à ponta de faca! Vou mandá-lo para Porto Alegre.
- Acho melhor mesmo. Disse a enfermeira.
- Seu Juvêncio, o senhor terá que ir à capital fazer mais alguns exames.
- O doutor é que sabe! É só terminar de colher meu milho que já vou.
- Isto, mas vá o mais rápido possível.
- Na semana que vem já devo estar indo doutor.
Juvêncio fez o que tinha que fazer. Vestiu a melhor pilcha, pôs na mala-de-garupa pão com salame e se mandou.
Na rodoviária pegou um taxi:
- Vamos pra onde senhor?
- Toca direto para o Hospital de Clínicas!
- O amigo veio fazer o que na capital?
- Vim fazer o exame de prósta.
- Ah, o exame de próstata!
- Esse mesmo. Vim num pé e volto noutro.
- O amigo não está receoso com o tal exame?
- E eu lá sou homem de ter medo de alguma coisa, mano-velho? Não tenho medo nem de assombração!
- Não estou falando de ter medo! Eu mesmo tenho um certo receio de fazê-lo.
- Mas o índio véio é homem ou um pé de chicória?
- Bem... É que é um tanto constrangedor e...
- Meu finado pai, que Deus o tenha, dizia-me que constrangedor é homem beijar homem. O resto...
- Acho que o amigo tem razão. Vou tratar de marcar o meu exame logo-logo.
- Pois faça isso, não deixe que o mal se alastre!
- Chegamos, Senhor!
- Muito obrigado.
Seu Juvêncio ficou aguardando na sala de espera por quase duas horas. Já estava nervoso.
- Seu Juvêncio pode entrar. Disse o médico
- Já não era sem tempo! Esperei mais que gestação de mula.
- Dispa-se e deite-se por gentileza.
Contam lá em São João da Urtiga que tiveram que chamar os brigadianos para pôr fim naquele entrevero. Era o seu Juvêncio correndo pelado pelos corredores do hospital, com um facão na mão, dando pranchaços no lombo do pobre médico:
- Vem cá, doutorzinho de merda! Vou te ensinar a respeitar um pai de família.
Sérgio Luís da Silva Vargas
Tecnologia pura
- Bom dia compadre!
- Bom dia!
- Me conta, como foi a chuva por lá?
- Bah, compadre! Foi coisa feia de mais. Muito granizo. Perdi toda minha lavoura de fumo.
- Que coisa mais triste compadre! Eu por aqui tive um prejuízo danado, perdi minha lavoura de milho e mais a granja dos frangos, que ficou toda furada. Morreram pra mais de mil pintos.
- O estrago foi muito feio, compadre...
- É! Com tanta tecnologia, e nos ainda dependendo da sorte para mantermos nossas culturas.
- E quem é que pode contra a natureza, compadre? Não viu lá nos Estados Unidos, país rico, cheio de recursos, o estrago que deu?
- O amigo tem razão, contra as forças de Deus não há tecnologia que dê jeito!
- E por falar em tecnologia, o amigo sabia que a Chiquinha, filha do compadre Anselmo, engravidou?
- Não sabia não, compadre! Mas como?! A guria não tinha nem namorado!
- E não tinha mesmo.
- Então como é que foi pegar barriga, ora?
- Compadre Anselmo me disse que foi esta tal de internet!
- Ué! Mas pode?
- Acho que sim. Esta internet é poderosa! Noutro dia ouvi no rádio que lá em São Paulo roubaram até um banco...
- Pois eu ouvi também...
- E se assaltaram um banco, como não haveriam de fazer um filho que é coisa muito mais simples?
- É compadre... Acho que é possível mesmo!
- A Maria, minha esposa, queria porque queria que eu comprasse pra nós, um destes computadores, mas acho que não vou comprá-lo não, vai que ela também engravide e nasça por lá um guri com os olhinhos puxados? Como é que eu vou explicar para os vizinhos?
- É! Vai ser difícil explicar mesmo.
- É melhor nos vivermos na ignorância do que mal falados!
- Ah, isto é verdade.
- Até mais ver, compadre!
- Até mais ver!
Sérgio Luís da Silva Vargas
- Bom dia!
- Me conta, como foi a chuva por lá?
- Bah, compadre! Foi coisa feia de mais. Muito granizo. Perdi toda minha lavoura de fumo.
- Que coisa mais triste compadre! Eu por aqui tive um prejuízo danado, perdi minha lavoura de milho e mais a granja dos frangos, que ficou toda furada. Morreram pra mais de mil pintos.
- O estrago foi muito feio, compadre...
- É! Com tanta tecnologia, e nos ainda dependendo da sorte para mantermos nossas culturas.
- E quem é que pode contra a natureza, compadre? Não viu lá nos Estados Unidos, país rico, cheio de recursos, o estrago que deu?
- O amigo tem razão, contra as forças de Deus não há tecnologia que dê jeito!
- E por falar em tecnologia, o amigo sabia que a Chiquinha, filha do compadre Anselmo, engravidou?
- Não sabia não, compadre! Mas como?! A guria não tinha nem namorado!
- E não tinha mesmo.
- Então como é que foi pegar barriga, ora?
- Compadre Anselmo me disse que foi esta tal de internet!
- Ué! Mas pode?
- Acho que sim. Esta internet é poderosa! Noutro dia ouvi no rádio que lá em São Paulo roubaram até um banco...
- Pois eu ouvi também...
- E se assaltaram um banco, como não haveriam de fazer um filho que é coisa muito mais simples?
- É compadre... Acho que é possível mesmo!
- A Maria, minha esposa, queria porque queria que eu comprasse pra nós, um destes computadores, mas acho que não vou comprá-lo não, vai que ela também engravide e nasça por lá um guri com os olhinhos puxados? Como é que eu vou explicar para os vizinhos?
- É! Vai ser difícil explicar mesmo.
- É melhor nos vivermos na ignorância do que mal falados!
- Ah, isto é verdade.
- Até mais ver, compadre!
- Até mais ver!
Sérgio Luís da Silva Vargas
Um pulo na lua
Quando Gildinha viu aquela lua bonitona no céu, decidiu:
- Vou ser astronauta!
- Ora vejam, astronauta mulher!
- Por que? Não existe?
- É claro que não!
- Pois então eu serei a primeira.
- Logo você que tem medo até de subir no telhado? Duvido que chegues à lua!
- Mas até lá eu já cresci, e gente grande não tem medo de nada!
- Ora se não tem! Mamãe tem medo de baratas...
- Ah, barata é barata!
- Pois saiba que eu ainda sou menino e já não tenho medo de nada.
- Não tem! Não tem! Tu tens medo do escuro que eu sei.
- Maninha... não é medo! Eu tenho é receio!
- Ta, e receio não é medo?
- Claro que não! Receio é receio e medo é medo.
- E o que é receio então?
- Receio é... receio é... Humm!
- Vamos diga. Não fiques aí gaguejando!
- Receio é só um medinho à toa!
- É, mas tu choras se te deixam no escuro.
- É que quando se tem receio também se chora!
- Pois eu não tenho receio e nem medo de ir á lua.
- Papai contou-me que a cadela Laika foi e não voltou mais.
- Pois eu vou à lua procurar por ela e a trarei de volta.
- Cadela idiota, tal qual as meninas. Ouvi dizer que era só ela ter apertado um botão que dizia: - voltar para casa. Te garanto que se fosse o Sultão ele não se perderia.
- O que?! Este cachorro pulguento? Se fosse ele, iria parar no sol. Viraria cachorro-quente torrado. Um baita de um bocó!
Gildinha jurou ter visto Laika pulando lá na lua.
- Tadinha, tão longe de casa!
Sérgio Luís da Silva Vargas
- Vou ser astronauta!
- Ora vejam, astronauta mulher!
- Por que? Não existe?
- É claro que não!
- Pois então eu serei a primeira.
- Logo você que tem medo até de subir no telhado? Duvido que chegues à lua!
- Mas até lá eu já cresci, e gente grande não tem medo de nada!
- Ora se não tem! Mamãe tem medo de baratas...
- Ah, barata é barata!
- Pois saiba que eu ainda sou menino e já não tenho medo de nada.
- Não tem! Não tem! Tu tens medo do escuro que eu sei.
- Maninha... não é medo! Eu tenho é receio!
- Ta, e receio não é medo?
- Claro que não! Receio é receio e medo é medo.
- E o que é receio então?
- Receio é... receio é... Humm!
- Vamos diga. Não fiques aí gaguejando!
- Receio é só um medinho à toa!
- É, mas tu choras se te deixam no escuro.
- É que quando se tem receio também se chora!
- Pois eu não tenho receio e nem medo de ir á lua.
- Papai contou-me que a cadela Laika foi e não voltou mais.
- Pois eu vou à lua procurar por ela e a trarei de volta.
- Cadela idiota, tal qual as meninas. Ouvi dizer que era só ela ter apertado um botão que dizia: - voltar para casa. Te garanto que se fosse o Sultão ele não se perderia.
- O que?! Este cachorro pulguento? Se fosse ele, iria parar no sol. Viraria cachorro-quente torrado. Um baita de um bocó!
Gildinha jurou ter visto Laika pulando lá na lua.
- Tadinha, tão longe de casa!
Sérgio Luís da Silva Vargas
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