Os exames feitos em seu Juvêncio deixaram o médico da pequena localidade, um tanto preocupado:
- Teria que fazer um exame de toque, mas eu é que não vou enfiar o dedo no rabo deste guasca, mais grosso que tramela de rancho. Ele trata tudo à ponta de faca! Vou mandá-lo para Porto Alegre.
- Acho melhor mesmo. Disse a enfermeira.
- Seu Juvêncio, o senhor terá que ir à capital fazer mais alguns exames.
- O doutor é que sabe! É só terminar de colher meu milho que já vou.
- Isto, mas vá o mais rápido possível.
- Na semana que vem já devo estar indo doutor.
Juvêncio fez o que tinha que fazer. Vestiu a melhor pilcha, pôs na mala-de-garupa pão com salame e se mandou.
Na rodoviária pegou um taxi:
- Vamos pra onde senhor?
- Toca direto para o Hospital de Clínicas!
- O amigo veio fazer o que na capital?
- Vim fazer o exame de prósta.
- Ah, o exame de próstata!
- Esse mesmo. Vim num pé e volto noutro.
- O amigo não está receoso com o tal exame?
- E eu lá sou homem de ter medo de alguma coisa, mano-velho? Não tenho medo nem de assombração!
- Não estou falando de ter medo! Eu mesmo tenho um certo receio de fazê-lo.
- Mas o índio véio é homem ou um pé de chicória?
- Bem... É que é um tanto constrangedor e...
- Meu finado pai, que Deus o tenha, dizia-me que constrangedor é homem beijar homem. O resto...
- Acho que o amigo tem razão. Vou tratar de marcar o meu exame logo-logo.
- Pois faça isso, não deixe que o mal se alastre!
- Chegamos, Senhor!
- Muito obrigado.
Seu Juvêncio ficou aguardando na sala de espera por quase duas horas. Já estava nervoso.
- Seu Juvêncio pode entrar. Disse o médico
- Já não era sem tempo! Esperei mais que gestação de mula.
- Dispa-se e deite-se por gentileza.
Contam lá em São João da Urtiga que tiveram que chamar os brigadianos para pôr fim naquele entrevero. Era o seu Juvêncio correndo pelado pelos corredores do hospital, com um facão na mão, dando pranchaços no lombo do pobre médico:
- Vem cá, doutorzinho de merda! Vou te ensinar a respeitar um pai de família.
Sérgio Luís da Silva Vargas
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