Esta onda de politicamente correto está ficando muito chata.
O brasileiro que sempre foi um "debochado por natureza" anda
assustado. Está cada vez mais, com um pé atrás. Cauteloso.
Tá certo que, como dizia meu velho pai, respeito é bom e
conserva os dentes. O exagero, o excesso é sempre ruim, tanto para um lado
quanto para o outro. Há que se ter equilíbrio sempre.
A coisa está seguindo um rumo assustador:
O sujeito chega no
trabalho e encontra o colega gozador, que está sempre zoando dele. Aí ele faz
uma piadinha básica com o dito cujo, mas o outro está de ovo virado; a sogra
decidiu ir passar uns dias na casa dele (coitado), logo vem a reclamação, a
briga e a decisão de colocar o agora ex-amigo na justiça: assédio moral. Putz.
Ou então o cara vem disposto a dar aquela cantada na
gostosona da repartição, que há muito tempo dá em cima dele, mas a doida está
de tpm. Ferrou-se: assédio sexual. Xiiii!
Chamar de negrão um velho amigo de
infância, nem pensar. Vai que...
Essa coisa bonita, descontraída, que sempre fez o brasileiro
ser admirado lá fora, está se perdendo. Que pena!
Lá perto de casa tem uma quitanda onde trabalha o filho do
capeta. O sujeito é muito feio. É feio demais: vesgo, não tem os dois dentes da
frente e como se isto fosse pouco, o desgraçado ainda é rengo. Como seria de se
esperar, os clientes e amigos o chamam de feio. É horrível, mas ele já se
acostumou e atende a todos com o seu vasto sorriso banguela. Muito simpático e
atencioso.
Eu nesta frescura de politicamente correto fiquei com pena
da criatura e perguntei o seu nome.
Dia destes, decidi fazer a diferença, cheguei lá na quitanda e chamei-o de bonito:
Dia destes, decidi fazer a diferença, cheguei lá na quitanda e chamei-o de bonito:
-
Ô meu, eu não te dei esta intimidade. Respeito é bom e eu
gosto!
Xiii! Ato falho. O nome do pobre é Benito.É, a coisa está ficando chata mesmo!
Sérgio Luís da Silva Vargas


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